Empresário e candidato a deputado federal propõe representação comercial permanente de Mato Grosso do Sul na China e preparação antecipada de municípios para receber novos empreendimentos
CAMPO GRANDE — A Rota Bioceânica pode deixar de ser apenas um caminho para a passagem de cargas entre o Atlântico e o Pacífico e se transformar em um dos principais vetores de desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul. Essa é a avaliação do empresário e candidato a deputado federal Carlos Bernardo, que defende uma estratégia permanente de atração de investimentos internacionais para transformar a nova conexão logística em indústria, empregos, tecnologia e geração de renda.
A proposta ganhou força após a participação de Carlos Bernardo na 5ª edição do Fórum Econômico Brasil & Países Árabes, realizado em São Paulo, além de contatos e reuniões relacionados ao mercado chinês. Na avaliação do empresário, a abertura de novos mercados precisa ser acompanhada de uma política estruturada para evitar que o Estado seja apenas território de passagem de caminhões e mercadorias.
“A Rota Bioceânica já é uma realidade. A questão agora é saber o que Mato Grosso do Sul fará com ela. Podemos simplesmente ver caminhões atravessando o Estado ou usar essa nova posição para trazer indústria, tecnologia, centros de distribuição e milhares de empregos”, afirmou.
Representação permanente na China
Entre as propostas apresentadas está a criação de uma representação comercial permanente de Mato Grosso do Sul na China, com profissionais especializados em comércio exterior e atração de investimentos.
A estrutura teria como objetivo identificar empresas interessadas em ampliar operações na América do Sul, apresentar as oportunidades existentes no Estado, divulgar áreas industriais e acompanhar os investidores desde o primeiro contato até a implantação dos empreendimentos.
Para Carlos Bernardo, Mato Grosso do Sul precisa deixar de esperar que os investidores descubram espontaneamente as oportunidades oferecidas pelo Estado.
A estratégia, segundo ele, deveria envolver Governo do Estado, prefeituras, entidades empresariais e organismos de promoção comercial, criando uma atuação coordenada para disputar investimentos com outras regiões do Brasil e países da América do Sul.
Cidades precisam se preparar antes dos investimentos
O empresário também defende que os municípios localizados no eixo estratégico da Rota Bioceânica iniciem imediatamente o planejamento para receber novos empreendimentos.
Porto Murtinho, Jardim e Campo Grande são apontados como cidades com potencial para ampliar negócios nas áreas de logística, armazenagem, processamento de alimentos, comércio exterior, serviços e indústria.
A estratégia também poderia alcançar Ponta Porã, Maracaju e Sidrolândia, formando uma rede de municípios preparados para aproveitar os efeitos econômicos da nova ligação internacional.
A proposta inclui o levantamento de áreas industriais disponíveis, capacidade energética, infraestrutura rodoviária, telecomunicações, disponibilidade de mão de obra, serviços públicos e condições para instalação de novas empresas.
Outro ponto defendido é a criação de materiais de promoção dos municípios em português, espanhol, inglês e mandarim, facilitando a apresentação dos projetos a grupos empresariais estrangeiros.
Do corredor logístico ao corredor industrial
Na visão de Carlos Bernardo, o grande risco é Mato Grosso do Sul cumprir apenas a função logística dentro da nova rota, enquanto o processamento, a industrialização e a maior parcela do valor agregado permanecem em outras regiões.
A proposta, portanto, é utilizar a infraestrutura internacional para estimular a instalação de empresas próximas aos centros de produção, reduzindo custos logísticos e agregando valor às matérias-primas produzidas no Estado.
Nesse cenário, setores como agroindústria, alimentos, proteína animal, armazenagem, logística, tecnologia, comércio exterior e indústria de transformação poderiam ganhar espaço.
“A Rota Bioceânica precisa ser pensada como um corredor de desenvolvimento, e não simplesmente como uma estrada internacional”, defende o candidato.
Mercado árabe e produtos de maior valor agregado
Durante os contatos com representantes dos países árabes, Carlos Bernardo também destacou o potencial de Mato Grosso do Sul para ampliar as exportações, principalmente no setor de proteína animal.
Um dos caminhos apontados é a expansão da produção destinada ao mercado halal, observando as certificações e exigências específicas dos países compradores.
A avaliação é de que o Estado pode avançar não apenas no volume exportado, mas também na oferta de produtos com maior valor agregado e adaptados às exigências de cada mercado.
Para Carlos Bernardo, a estratégia internacional deve combinar produção, logística, certificação, tecnologia e inteligência comercial.
“Transformar posição geográfica em desenvolvimento”
A Rota Bioceânica abre uma nova perspectiva para Mato Grosso do Sul ao aproximar produtores e empresas brasileiras dos mercados do Pacífico e, consequentemente, de importantes consumidores asiáticos.
Na avaliação de Carlos Bernardo, porém, infraestrutura por si só não garante desenvolvimento. É necessário criar uma política ativa de atração de empresas e preparar os municípios para receber os investimentos antes que eles cheguem.
“Temos uma oportunidade que talvez não apareça novamente nesta geração. Precisamos transformar nossa posição no mapa em fábrica, emprego, renda e desenvolvimento para as nossas cidades”, concluiu.
A proposta coloca a Rota Bioceânica como eixo de uma estratégia mais ampla de internacionalização da economia sul-mato-grossense, com a intenção de transformar o fluxo de mercadorias em investimentos permanentes, novas empresas e oportunidades de trabalho dentro do próprio Estado.